STORYTELLING - HISTÓRIAS DE INOVAÇÃO

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Linguagem da Cor - Ideias e Oportunidades

Ana Assis, em 2008 inicia um projeto duma tinturaria e lavandaria com efeitos especiais em peças confecionadas em vários tipos de materiais - ( gangas, sweat-shirts, malhas exteriores). O tingimento é a área em que a empresa se pretende concentrar. Têm desenvolvido trabalhos para empresas Portuguesas que se dedicam á exportação, e indirectamente trabalhamos assim, para marcas ( desde o desenvolvimento do produto até á produção) como a Boss, Trussardi, Prada entre outros.A empresa tem 24 trabalhadores que se estruturou para efectuarem pequenas séries com " lead time" curto. As vendas têm subido desde 2008, até cerca de 1 milhão de euros em 2011.

Produto. Fazem tingimentos em peças confecionadas de várias formas, procurando desenvolver processos diferenciadores. Têm clientes, que ora procuram volume ( 50 mil peças) ora, pretendem encomendas especiais com processos muito mais elaborados e complexos. Dando origem a séries de maior ou menor dimensão.

Clientes. Trabalham para marcas conceituadas na componente de street Wear / Jeans Wear. O trabalho mais valorizado está nesta área de negócio. A forma como a industria ainda funciona é baseado no modelo: o cliente traz o modelo, e manda produzir. A empresa inverteu o processo - concebemos os produtos, e apresentamo-los aos clientes. Conseguem fazer este processo invertido. Hoje têm cerca de 20 clientes / empresas da zona de Barcelos e outros 50 com caracter mais sazonal.

Diferenciação. O aspecto distintivo da empresa, decorre do acompanhamento que fazem ao cliente. Desde a ideia - croqui (pesquisa de tendencias de moda) até á produção.Outro aspeto distintivo é possuirem uma equipa extremamente versátil e motivada, vocacionados para o cliente ( todos tem capacidade para resolver o problema do cliente. Fazem assim, consultoria nesses factores junto dos clientes para que possam ter um produto melhor.Da equipa de 24 colaboradores, 7 são directores, dos quais 5 são licenciados. São estas caracteristicas que também os diferenciam ( uma boa formação).

Recursos. Os equipamentos não são ainda muito sofisticados. Tiveram de reajustar o parque de máquinas herdado. No futuro próximo irão ocorrer investimentos em tecnologia, considerados estratégicos. Ter a equipa motivada é um outro factor diferenciador. Porque a equipa é reduzida, e porque a estrutura hierarquica é relativamente aberta. Cada um é cliente do seu colega do lado, e simultaneamente também é seu fornecedor . Todos têm de ser capazes de fazer as suas tarefas , mas ao mesmo tempo de ajudarem quem está a montante ou a juzante do processo. A lógica do processo é assim. As pessoas são ainda induzidas a questionarem o que fazem. A produtividade e o interesse no trabalho que fazem é muito maior. O trabalho é desta forma mais valorizado. O caracter de repetitividade das operações nesta actividade é muito grande, assim fazem rodar alguns colaboradores entre várias tarefas. Outra metedologia adoptada pelo responsável de produção, é fazer um briefing todos os dias de acordo com a carteira de encomendas que entram em produção. Discute com os seus colaboradores, ouvindo-os sobre o melhor “best way”. A preocupação ambiental e social é outro aspecto a destacar. Fazem uma ou duas reuniões por ano, com todos os colaboradores – informam-os sobre como a atividade decorre. Outra questão recorrente é o consumo de água. A sensibilização de toda a equipa para o consumo de água foi uma tarefa fundamental. Separamos desperdicios e tratamos toda a água ( estação de tratamentos) antes de ser lançada ao rio. È a importância atribuida à vertente ambiental.

Parcerias. Têm algumas ligações com o CITEVE, e a Universidade do Minho, mas também com alguns fornecedores (Italia) que têm posturas identicas às da empresa.

Projectos novos. A introdução do coaching, como metodo de apoio formativo apoiando a equipa directiva , deu igualmente um grande impulso ao grupo - quer tecnicamente no desenvolvimento do produto, quer em termos comerciais. È com estas práticas que procuramos uma linguagem diferente, num sector dinâmico.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Ler Devagar - Ideias e Oportunidades

«(...) De volta ao centro da ação, na rua onde se desenrola o mercado, a livraria Ler Devagar vale sempre uma espreitadela. Nem que seja pela beleza de ver um antigo armazém forrado a livros até ao tecto. Novidades, edições antigas, publicações não comerciais e outras grandes preciosidades encontram-se por aqui. Pelo amplo espaço, onde antes funcionava uma rotativa de impressão de jornais, podemos folhear demoradamente um livro. Mesmo ao lado, a discoteca da Ler Devagar, especializada em música portuguesa e dos países lusófonos. É por aqui que nos cruzamos com o primeiro (e único) turista. Alheio a tudo, devora um livro.»

Para José Pinho, isto não é uma livraria tradicional. É assim que este fazedor de livrarias, considera a Ler Devagar. “Depois da Fábrica de Braço de Prata, onde criou um polo cultural, das livrarias da Galeria Zé dos Bois, da Cinemateca e do Instituto Franco-Português, este é o quinto espaço aberto” . José Pinho iniciou por fazer um curso de Técnicos Editoriais (já tinha editado a revista Devagar), e desenrolou a sua atividade numa agência de publicidade. Durante este curso todos os editores se queixavam da quantidade de livros em armazém. Os livros iam para as livrarias e passado 3 meses voltavam para trás (hoje são 15 dias a 3 semanas). Os armazéns iam crescendo exponencialmente… na Europa por onde ele andava existia livrarias que vendiam fundos editoriais (saldos).

Encontrou nessa altura um espaço no Bairro Alto, que por um preço simbólico lhe alugaram um espaço, sugerindo desde logo aos seus antigos colegas de curso que participassem na aventura… Saíu da agência de publicidade! E avançou sozinho. Mais tarde entraram 20 sócios (colegas)…hoje são 150 acionistas. E continua com a maioria das ações.

Em 2009 encontrou o espaço onde está actualmente instalado - a LxFactory. Aqui chegado, ficou na antiga Gráfica Mirandela. Hoje funciona como espaço âncora nesta aldeia criativa.Com 6 trabalhadores esta sociedade anonima, e com os atuais 150 acionistas, são proprietários de 90% dos livros no valor de 300 mil euros.

Não é um conceito de livraria tradicional, que torna este negócio sustentável. Para que fosse sustentável tivemos uma obsessão com custos, reduzindo o seu valor (pessoal e rendas) ao mínimo possível. .”Aqui a Ler Devagar conseguiu uma renda simbólica pelo espaço com a rotativa que está a transformar em livraria; em contrapartida, comprometeu-se a dinamizar o local e a pagar à empresa que gere o espaço uma parte das receitas dos espetáculos que vier a promover.”

Clientes. Não pensaram quem poderiam ser os clientes da Ler Devagar. Quando abriu no Bairro Alto, estava tudo a fechar, e “eles abriram … disseram, se não vier cá ninguém vimos nós”! Pagamos a renda entre todos, era a nossa sala de estar e biblioteca. Só que os clientes começaram a aparecer. Hoje não é possível definir o cliente-tipo … portugueses, estrangeiros… . O horário é também diferente, entre o meio-dia e a meia-noite.

Os produtos oferecidos variam desde, livros, discos (quando ninguém compra CD nós compramos) que passam a ser propriedade da empresa. Oferecendo-se ainda um programa cultural constante de quarta a sábado. O espaço é assim distintamente diferente, com o seu grau de majestosidade, e heterogeneidade – combina antigo, com amplitude e largueza – de oferta. Pode-se ler em torno dum café, almoçar, ou assistir a concerto de música, ou ainda, contemplar uma exposição.



Kiss the Cook - Ideias e Oportunidades

Quando chegámos à hora do almoço ao espaço Kiss the Cook, na LxFactory, em Lisboa, naquela quinta-feira já havia em cima da mesa uma despensa inteira. Várias qualidades de arroz, massas, cebolas, courgettes, tomate, pão, ervas aromáticas, sal, pimenta e outros condimentos. Ovos, laranjas, queijo curado, parmesão, enchidos, presunto, bacon. Peixe (cavalas, salmonetes, ovas de esturjão) e carne (bochechas de porco, rins de vitela, carne de vaca).

O Kiss the Cook (work & shop) começa a sua atividade em finais de Outubro de 2011.O Nuno é um jovem já com experiência internacional em multinacionais, que conjuntamente com outro sócio partilhavam a paixão pela cozinha. Depois de confirmarem a oportunidade através de benchmarking internacional, decidiram conceber um conceito de negócio que não fosse um restaurante, mas que oferecesse um momento experiencial diferente – explorar o prazer pela cozinha - aos participantes em torno de workshops de cozinha.” Nas suas viagens visitaram vários locais para encontrarem o conceito da empresa que queriam criar em Portugal e inspiraram-se, por exemplo, no espírito descontraído do britânico Jamie Oliver e do seu Recipease, e nos cursos parisienses do L"atelier des Chefs.” Assim trouxeram elementos exteriores á cozinha para o negócio, em especial no conceito corporate, onde se integraram elementos comportamentais e de desenvolvimento de equipas. Esta decisão precisou de 2 meses para ser testado, até se chegar ao “Manifesto Kiss the Cook”. A ideia subjacente resume-se ao que faz um “amigo” quando nos recebe em casa: a primeira coisa, que fazemos num evento é recebermos o convidado, e perguntar-lhe que vinho bebe. A recriação do universo culinário faz com que, “logo à entrada do Kiss The Cook estejam expostos livros, revistas especializadas estrangeiras ,estando também à venda alguns utensílios que não são fáceis de encontrar em Portugal. São caçarolas banho-maria, tábuas de corte em bambu, termómetros especiais, moldes para se fazerem bolachas de gengibre, facas, cortadores de legumes suíços, sacos de pasteleiro para se fazerem os franceses macaron, etc. É possível também adquirir vouchers de oferta para os eventos que organizam e que podem ser consultados na Internet.”

O espaço escolhido é amplo, tendo um hall de entrada duplo, um conjunto de mesas compridas com bancos corridos, onde os participantes podem apreciar a comida, sendo o restante espaço constituído por uma linda bancada em S. Os participantes podem ver, aprender, conviver e participar na elaboração do manjar.

Os clientes definidos inicialmente foram empresas (algumas multinacionais, agências …), e clientes (consumidor final) ou grupos privados. Os clientes “corporate” são clientes com interesses muito variados, ora pretendem oferecer experiências diferentes a clientes, como podem pretender reforçar o espirito de equipa dum grupo de trabalho, teambuilding, melhorar a comunicação interdepartamental, fazerem eventos de divulgação, tudo isto num ambiente divertido e diferente. Os grupos privados/ consumidores finais, podem procurar aprender, metendo as mãos na massa (masterclass), podem fazer uma festa de aniversário, podem realizar uma festa de amigos divertida, ou uma despedida de solteiro…

Os produtos oferecidos podem variar entre workshop, que representam momentos de aprendizagem muito variados com chefes de cozinha, ou com um amante da cozinha.” Miguel Pires, do blogue Mesa Marcada e autor do livro Lisboa À Mesa - Guia onde Comer. Onde Comprar (ed. Planeta), escolheu os salmonetes que conjugou com um linguine al nero di seppia. Tentou fazer "molho de fígados dos ditos" - preparado com o caldo feito das espinhas, aipo, cenoura, cebola (e tudo o que leva um fumet clássico)” Esta experiência vai desde, o ensino, o envolvimento na confeção dos pratos, até á degustação; os eventos corporativos e privados, podem envolver desde um tipo de cozinha específica, a um vinho especial… são momentos únicos de envolvimento, entre estar e fazer.

Todos juntos, participando.
Os canais utilizados para a divulgação deste conceito, são as agências de publicidade, os gestores de eventos, ou então é a própria ideia que é sugerida pela empresa. O contacto pessoal também é utilizado para a divulgação em especial no mercado B2B, ou para intermediários (agências, empresas gestoras de eventos). Cada grupo de clientes podem-se impactar de forma diferente. Desde o passa-palavra, ao recurso a novas tecnologias (site, facebook,..), estar em reportagens em revistas aquando da realização de eventos.

Para que tudo ocorra, são necessários, então: o espaço (fábrica criativa), a marca e a identidade corporativa, a participação dos chefes e formadores especializados (know-how).É assim que se desenvolve o cozinha e come.

Somente um conjunto de 4 pessoas, é suficiente para concretizar o desenvolvimento dum evento. Em função dos objetivos do evento, procura-se sempre identificar os melhores parceiros para o evento. È então efetuada a proposta ao cliente. Resultará daí um momento experiencial único, desde a receção, á confeção, e ao convívio no manjar. Ser único é a única preocupação. Posteriormente são enviadas fotos para os clientes. Para além dos recursos humanos foi necessário encontrar um espaço físico diferente, encontrar alguns parceiros, definir uma identidade apelativa e diferente. Trabalhar com vários chefs e formadores, possibilita encontrar novas propostas diferentes (com novas técnicas e maior diversão). O Know-how não é fazer workshops de cozinha, mas sim, fazer um evento dentro dum espaço – Kiss the Cook – onde todos os intervenientes interagem. As pessoas fazem o seu prato e depois sentam-se, e regressam á bancada sucessivas vezes.

A gestão procura principalmente, não fazer um workshop, mas conseguir oferecer aos clientes aquilo que eles precisam, e concretizar isso. A kiss the Cook não são chefes e formadores. É antes, conceber um momento que sirva determinada finalidade, que pode ser mais técnica, mais fun etc… . A personalização dos eventos exige uma logística muito planeada (compras/ fichas técnicas…). A divulgação dos eventos é feita através do facebook, enquanto a pesquisa de potenciais clientes (por ex. cruzeiros..) pode ser através de contacto pessoal, ou de passa-palavra. Publicidade é zero. É assim que se cozinha o efeito Kiss the Cook.

Fontes:
. Publico
. www.kissthecook.pt

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Sandra Ribeiro e Nuno Luís queriam mudar de vida. Criaram o Kiss the Cook, na LxFactory, em Lisboa, onde não só se a aprende a cozinhar como se come o que se confeccionou. Cozinhar é um divertimento e com os amigos pode ser uma festa, perceberam Isabel Coutinho (texto) e Rita Chantre (fotos).

Quando chegámos à hora do almoço ao espaço Kiss the Cook, na LxFactory, em Lisboa, naquela quinta-feira já havia em cima da mesa uma despensa inteira. Várias qualidades de arroz, massas, cebolas, courgettes, tomate, pão, ervas aromáticas, sal, pimenta e outros condimentos. Ovos, laranjas, queijo curado, parmesão, enchidos, presunto, bacon. Peixe (cavalas, salmonetes, ovas de esturjão) e carne (bochechas de porco, rins de vitela, carne de vaca). Alguns dos outros participantes já estavam de copo de vinho ou de refresco de groselha na mão, avental com um crachá com o nome. Em cima de outra mesa, havia papéis e canetas para a decisão e escrita da lista dos ingredientes a utilizar no cozinhado. "Há ratoeiras para corajosos, a ideia é seguirem o vosso coração. Escolham primeiro a proteína e depois definam a base. Os ingredientes estão à conta! A ideia é que negoceiem uns com os outros", avisa Rodrigo Meneses, que faz parte da equipa do Kiss the Cook juntamente com a timorense Gina. Ambos ficaram conhecidos pela participação no concurso Masterchef Portugal e foram recrutados por Sandra Ribeiro e Nuno Luís para o projecto Kiss the Cook, "um sítio onde você alimenta o chef que há em si", onde há workshops especializados para crianças e onde se podem organizar eventos de empresas ou celebrar o aniversário de uma maneira diferente com os amigos.

Sandra Ribeiro trabalhava na área de marketing e gestão, Nuno Luís chegou a trabalhar numa multinacional mas tinham vontade de ser empreendedores na área da comida e decidiram mudar de vida. Nas suas viagens visitaram vários locais para encontrarem o conceito da empresa que queriam criar em Portugal e inspiraram-se, por exemplo, no espírito descontraído do britânico Jamie Oliver e do seu Recipease e nos cursos parisienses do L"atelier des Chefs. Queriam que o Kiss the Cook, um espaço idealizado para workshops de cozinha informais e divertidos, fosse um local agradável onde se pudesse criar o ambiente de uma casa e dar a possibilidade às pessoas de estarem numa cozinha high tech rodeados de amigos ou de pessoas que acabavam de conhecer, tal como acontece noutras cidades europeias em que este conceito de poder ser uma diversão estar à volta dos tachos com quem não se conhece já existe há mais tempo. Depois de terem encontrado o espaço no LXFactory, em Alcântara, Sandra e Nuno partiram para a selecção dos chefs que foram escolhidos também pela sua capacidade de transmitir a sua paixão pela comida. "Queremos ter também chefs convidados e temos assiduamente a trabalhar connosco o Rodrigo Meneses e a Gina, que têm uma enorme paixão pelo que fazem", diz Sandra Ribeiro, que era gestora na sua carreira anterior. No dia em que a Fugas esteve no Kiss the Cook, o desafio era recriar, naquele espaço, o espírito do concurso Masterchef. Depois de escolhidos os ingredientes, os participantes dirigiram-se às bancadas e o relógio começou a contar. Uma hora e vinte minutos depois, o prato tinha de estar feito. No final, todos provaram, trocaram experiências e fizeram-se novos amigos. Carmelino Saldanha, que trabalha numa agência de publicidade e vive em Luanda, resolveu fazer cavala recheada, uma receita de origem turca que viu num programa de televisão. Acompanhou o peixe com legumes caramelizados feitos à moda da África do Sul.

Francisco Guedes é cliente habitual do Kiss the Cook. Tem o escritório da sua empresa (um novo conceito de águas para restauração) na LXFactory, em Alcântara, e à hora do almoço, em vez de ir a um restaurante, costuma ir ao Kiss the Cook. É que ali, todos os dias à hora do almoço, acontece o workshopMenu do Mercado: em 30 minutos aprende-se a fazer uma receita e come-se o que se cozinhou. Logo de manhã, o chef do Kiss the Cook vai ao mercado, selecciona os produtos mais frescos e coloca na página do Facebook a ementa desse dia. Também fica lá a descrição das técnicas de confecção que vão ser ensinadas. Quem se inscreve, por 15€, aprende a fazer uma receita prática e original em 30 minutos e almoça ali. O preço do workshop inclui um copo de vinho e café.

Workshops para todos

Mas naquela quinta-feira o desafio do Kiss the Cook era diferente. Francisco Guedes aceitou "brincar" ao Masterchef e, num instante, confeccionou uma entrada utilizando produtos da terra (era feita com espargos) e um prato principal relacionado com o mar (filetes de cavala no forno polvilhados com sal, azeite e alecrim). "Uns minutos no forno e já está!", explicou. Uma bancada mais à frente, a alentejana Sílvia Lézico, designer gráfica numa agência de comunicação, optou por fazer um prato inspirado na gastronomia da região onde nasceu: uma tomatada (a que deu um toque diferente com o recheio de uma farinheira) e acompanhou com bochechas de porco grelhadas. Miguel Pires, do blogue Mesa Marcada e autor do livro Lisboa À Mesa - Guia onde Comer. Onde Comprar (ed. Planeta), escolheu os salmonetes que conjugou com um linguine al nero di seppia. Tentou fazer "molho de fígados dos ditos" - preparado com o caldo feito das espinhas, aipo, cenoura, cebola (e tudo o que leva um fumet clássico). "Embora tenha corrido mal tecnicamente, nem por isso deixou de ficar saboroso", diz Miguel e quem lá esteve confirmou.

Logo à entrada do Kiss The Cook estão expostos livros, revistas especializadas estrangeiras e estão à venda alguns utensílios que não são fáceis de encontrar em Portugal. São caçarolas banho-maria, tábuas de corte em bambu, termómetros especiais, moldes para se fazerem bolachas de gengibre, facas, cortadores de legumes suíços, sacos de pasteleiro para se fazerem os franceses macaron, etc. É possível também adquirir vouchers de oferta para os eventos que organizam e que podem ser consultados na Internet.

"Quando acontecem os workshops a porta do Kiss the Cook fica fechada. O espaço funciona como se fosse uma extensão das nossas cozinhas lá de casa", explica Rodrigo Meneses. "Temos workshops diários, ao almoço e ao jantar, toda a gente cozinha e come." Ao jantar, têm o Dinner Time, onde as pessoas com mais tempo e descontracção aprendem a fazer uma entrada e um prato principal. O valor é de 29€, também com vinho e café incluído. "A ideia é que os workshops sejam um evento em que as pessoas cheguem aqui e se divirtam na cozinha. Tem 12 amigos que gostam de cozinhar? Porque não marcar e vir até aqui passar umas horas? Nós gostamos de ajudar, de apaixonar as pessoas outra vez pela gastronomia", continua Rodrigo. E explica que no Kiss the Cook tudo é tailor-made, feito sob medida, as pessoas fazem propostas e trazem ideias que eles tentam concretizar. Também têm masterclasses em que um chef exemplifica e os participantes seguem-lhe os passos na bancada.

In: Publico, 22.12.12



segunda-feira, 1 de julho de 2013

João sem medo - Ideias e Oportunidades

Marco é um dos cofundadores duma comunidade de empreendedores – empresa social de empreendedores para empreendedores – em 27 de dezembro de 2011. São uma cooperativa constituída por 23 pessoas, e já passaram pelos seus eventos mais de 1000 pessoas. Têm como lema, derrubar os muros ao ato de empreender.

É uma empresa social que é lucrativa, e que se orienta por 7 princípios que as distingue das demais. A missão é eliminar todas as barreiras ao ato de empreender. Atuam nas mais variadas áreas de empreendedorismo, desde o mais tradicional, até ao mais tecnológico. O empreendedorismo é um método e como tal pode ser ensinado, o futuro não está determinado, e os homens podem construi-lo com a sua ação. Queremos ajudar as pessoas no meio da incerteza a saber construir um futuro através dum método de empreendedorismo.

Nas instalações que possuímos, desde o princípio que não gastámos mais de 300€. Tudo o que está feito foi feito por nós sem ser preciso gastar dinheiro. Conseguimos criar valor sem gastar dinheiro. O dinheiro é um instrumento. A criação de valor não exige obrigatoriamente dinheiro.

Oferecem um conjunto de serviços que um empreendedor pode necessitar para iniciar a atividade (contabilidade, marketing, social media, gestão do conhecimento…). O foco é na pessoa, e não no projeto. Pretendem colocar á disposição dos empreendedores um conjunto de recursos que necessitam para a sua aventura. O empreendedorismo é um método, e esta é a ideia de base.

Temos 3 modelos de negócio para promover o negócio: primeiro é a escala – somos uma cooperativa (40); segundo a economia da troca ou de complementaridade, o que pode levar a uma moeda eletrónica; terceiro, fomento do empreendedorismo – se alguém precisa de iniciar um negócio e precisa de marca, faz pitch –a comunidade se estiver interessada co investe (não fatura o serviço, só o faz em momento futuro quando existirem receitas). Existe uma percentagem combinada inicialmente (não há troca de capital).

Duas economias são a base do nosso negócio: a economia monetizada e, a economia não monetizada. Na primeira a JSM retém 10% do valor do serviço fornecido pelo fornecedor. Só se fornecerem serviços aos nossos sócios. Uma quota de 250€ dá acesso a sócio. Neste momento tem 23 sócios individuais, os restantes até 40 são empresas/associações. Neste caso distribuímos dividendos aos sócios. No segundo modelo funcionamos por recompensa – estamos cá porque estamos a apreender conjuntamente. Eu sei duma área, e o outro sabe doutra, é esse interesse mútuo que aqui é disponibilizado. Competência e generosidade de cada um – é um círculo virtuoso que gera mais competências, podendo assim ajudar mais pessoas.

Marco explica: nós enquanto pessoas não falhamos, os projetos podem falhar, podem não correr bem. O ato de aprendizagem deve estar sempre presente. Eu posso ter agora uma aventura de sucesso, e a próxima pode ser uma desgraça.

Impacto Criativo - Ideias e Oportunidades



Empresa que se dedica à criação de novos espaços.

Health Industry - Ideias e Oportunidades

O consultório da Health Industry foi idealizado para um espaço industrial, o que revelou desde logo um olhar diferente para um negócio quase sempre confinado a ambientes pouco convidativos.

O Hugo numa altura mais complicada da vida, decidiu ir 3 semanas com uma mochila às costas até á India (Goa). Nos 3 meses seguintes solidificou a ideia. Teria de ser um conceito diferente, em particular algo mais perto do publico e, onde as pessoas não tivessem medo de ir. Onde se sentissem bem. O espaço é amplo, sem paredes, com musica, e revistas atuais sempre disponíveis. E … onde vagueiam alguns antigos objetos espalhados pelos corredores…. Surge então uma clinica multidisciplinar, que apresenta várias especialidades, desde a cirurgia plástica até à psicologia, passando pela dermatologia, sendo a medicina dentária a que assume maior peso.

Três meses após ter regressado de Goa a ideia estava concretizada. Era um espaço de bem-estar, de saúde e de energia.

Alguns dos clientes que são utilizadores da clinica acabaram por ser pessoas que integram este espaço da LxFactory, mas também temos hoje gente de várias áreas de Lisboa, do Algarve etc. Inicialmente pensavam que iam ser mais jovens, agora estamos a verificar que vão dos 7 aos 77 anos. Os avós ficam muito espantados quando trazem os seus netos.

O que distingue a clinica é o atendimento personalizado ao cliente – é tratado como se fosse da família. Isto conjuntamente com o ambiente amigável e, que transmite energia. Também temos propostas diferentes para empresas e para o consumidor final. Enquanto para as empresas lhe oferecemos um cartão de saúde, os consumidores finais podem aderir a ele mediante o pagamento dum valor fixo. O responsável comercial utiliza o facebook para lançar promoções e prestar informação atualizada aos utentes. O nº de utilizadores diário da clinica ronda os 15 a 20 pessoas, contando com uma carteira de cliente de cerca de 400 utilizadores.

O investimento inicial em equipamentos foi determinante e imprescindível, visto serem necessários para os atuais 15 colaboradores administrativos e das várias valências. Também estão atentos para os casos onde pode ser necessário conceder algum financiamento, em especial para tratamentos mais complexos. Encontram-se sempre recetivos para colaborarem com estudos com outras entidades ou colegas.

Foram também concretizadas algumas parcerias, quer com empresas, seguradoras, ginásios e colégios.



sexta-feira, 28 de junho de 2013

Frio90 - Ideias e Oportunidades

Ideia. A empresa inicia-se na década de 90, trabalhando no sector do frio industrial. A partir de dada altura precisou de se transformar numa empresa com maiores capacidade de oferta, para assim poder concorrer e efetuar obras de maiores dimensões.

A oportunidade é identificada, vista na região de Castelo Branco existirem várias indústrias da área dos enchidos, queijo e frutas, e a oferta existente de serviços para esta área ser reduzida. Perceberam também, que as grandes obras eram feitas por empresas do litoral, enquanto as empresas locais ficavam com as pequenas obras e as manutenções.

Clientes. O negócio foi pensado para ser dirigido a pequenos agricultores, a produtores de queijo industrial (80-90%) e, a agricultores tradicionais de enchidos ou de frutas.

Produto/Serviço. Os serviços prestados, consistem na instalação, montagem e assistência aos equipamentos frigoríficos. O desenvolvimento de projectos chave-na-mão, é outra possibilidade que a empresa consegue oferecer. Para disponibilizar este serviço foi necessário constituir parcerias com outras empresas que permitissem assegurar serviços em áreas especializadas.

Diferenciadores. A proximidade com o cliente, e ser capaz de interpretar, desenvolver a ideia do cliente duma forma profissional, concretizando-a da forma mais eficiente e inovadora, são os principais aspetos distintivos em que apostaram. Este sector é constituído por poucas empresas dalguma dimensão, sendo o passa-palavra um fator determinante. Quando um cliente fica satisfeito, recomenda a outro. Não possuem equipa de vendas. Têm apenas um site onde se encontram apresentados alguns serviços.

O relacionamento com o cliente é determinante. Tem de ser regular, pois é necessário uma transferência de informação continua entre o cliente e a empresa. É nesta fase que se recorre a terceiros quando existem tarefas mais técnicas e complexas. Não são exigíveis grandes instalações físicas, obrigando antes a ser detentor de diferentes tipos de equipamentos (viaturas, sistemas de elevação, ferramentas …) para a concretização do serviço. Até ao momento não foi implementado nenhum sistema de informação de gestão, dado a programação ser possível com os atuais meios da empresa.

Parcerias. Existem parcerias com 2 empresas de serralharia (ferro e alumínios), e com empresas estrangeiras que fabricam equipamentos específicos para o sector dos queijos. A ligação com o Inovcluster tornou-se um elo fundamental para aceder à indústria alimentar.

As vendas nos últimos anos situaram-se sempre acima do meio milhão de euros.